Carreira

Parar de odiar a segunda-feira vai mudar sua vida

Um dia, assistindo a um episódio da série The Killing (que recomendo fortemente, inclusive), ouvi uma coisa que nunca mais saiu da minha cabeça: “se a verdade dói, você está vivendo errado”.

Quem disse essa frase foi o personagem Stephen Holder, interpretado por Joel Kinnaman, em diálogo com sua parceira Sarah Linden (Mireille Enos) dentro da viatura policial em que trabalhavam. Não lembro exatamente o que foi o estopim dessa conversa, mas acredito que essa é uma lição de vida que está aí, prontinha a nos dar um tapa na cara:

se a verdade dói, você está vivendo errado.

E como somos de gerações que adoram reclamar da segunda-feira, esse é um dia da semana em que essa frase deve ser repetida como um mantra. “Mas já é segunda?!” “Que saco, é segunda!” “Odeio segunda-feira”.

Bom, se a segunda-feira dói… meu amigo, você está vivendo errado.

Só para deixar a situação ainda mais desconfortável, não adianta nada culpar o calendário, porque a culpa disso é toda sua. E sabe o que é o mais legal? Quando assumimos a responsabilidade por isso, somos libertados de um mito de que é o calendário que nos castiga – e, livres, conseguimos entender onde temos a possibilidade de melhorar as nossas perspectivas a cada início de semana.

A magia das segundas-feiras

Acordar com uma nova semana de trabalho é algo incrível! Eu prometo! Houve um tempo em que eu também ficava desesperada ao ouvir o jingle do Fantástico, pois era sinal de que o domingo já estava acabando, mas hoje as coisas são diferentes.

Pra começar, não assisto mais Fantástico. E, pra terminar, cada nova semana de trabalho traz consigo a promessa de ser uma semana de sucesso. Só depende de cada um.

As segundas-feiras merecem ser de prazer, e não de terror, como estamos tão acostumados a tratá-las, no modo profissional e estudantil, simplesmente porque são uma nova oportunidade. Se você quiser fazer dela uma dor, assim será. Mas se estiver inspirado, tiver objetivos e propósitos, seja como funcionário ou empreendedor, elas terão um gostinho bom.

Afinal, o tempo estará passando e você ficará mais perto de conquistar suas metas, objetivos e sonhos.

Além disso, o mantra de “se a verdade dói, você está vivendo errado” serve para a vida toda, e não só para nossa segunda-feira profissional: se os relacionamentos doem, tem algo errado neles. Se a fatura do cartão de crédito dói, também tem algo errado. Se as cobranças da chefe, do irmão, do padre, de quem quer que seja, começam a doer como se fizessem sentido, é porque talvez façam.

Entendo que nem sempre a resolução dos conflitos está 100% com a gente… mas, se a gente pode fazer algo pra mudar a realidade, nossa responsabilidade é fazer. Sem questionar, sem ter medo. Só seguir a intuição, ir lá, tentar mudar e ver se as verdades começam a doer menos, ou não doer nada, a partir daí.

Como parar de odiar a segunda: amar o que se faz ou fazer o que se ama?

Na minha humilde opinião, o mantra “ame o que você faz e não terá que trabalhar um dia sequer”, pra mim, é um mito.

Trabalho é trabalho, e ponto. Se a gente não enxergar dessa forma, não é trabalho. Isso, contudo, não significa que a gente não possa amar o que a gente faz.

Um exemplo: se você ama artesanato, pode começar uma empresa nesse ramo. Isso não significa que você viverá na Disney, com unicórnios e arco-íris: você vai praticar o que gosta, mas também vai ter que gerenciar seus negócios, lidar com clientes, cobrar… é trabalho, afinal de contas!

E, por mais que todas as outras partes sejam doloridas, você ainda assim faz o que ama, e isso é o mais importante. Não a sensação de estar constantemente de férias, mas a sensação de ter feito o que gostava e cumprido seu dever.

A ÚNICA MANEIRA DE FAZER UM EXCELENTE TRABALHO É AMAR O QUE VOCÊ FAZ – STEVE JOBS

Muita gente odeia segundas-feiras porque queria estar passando aperto com artesanato mas, ao invés disso, está trancafiado num escritório com um chefe chato. Às vezes o salário é bom, vem no dia certo, mas nada disso faz muito sentido se você vive só para as férias.

Quem espera o futuro pra ser feliz nunca será feliz, de fato, porque a realidade é que só existe o tempo presente. As decisões mais importantes da vida carecem da inflexão do “é agora ou nunca”.

À espera de uma segunda

Se você tem entre 20 e 40 anos, faz parte de uma fatia da população que tem dois fatores de morte extremamente previsíveis entre a terceira idade e a velhice: problemas do coração ou câncer.

O interessante é que vários especialistas falam que essas duas doenças têm relações muito estreitas com o modo com que a gente vive a vida: o estresse, a frustração, a tristeza e a ansiedade fazem toda diferença no nosso corpo na hora de desenvolver os males que podem nos matar.

Em 2015 eu tive a oportunidade de morar no Chile e participar, durante dois meses, de um programa de imersão empreendedora, a Exosphere. Lá, entendi que somos nós que construímos nossas segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos. Com essa conclusão pude ver mais claramente que se meus sentimentos podem causar coisas graves ao meu organismo, eles também podem evitar a ocorrência das doenças.

A obviedade dessa constatação vai de encontro com um fato consumado: é dolorido se dar conta de que, às vezes, estamos no lugar errado, fazendo a coisa errada, mas ter noção disso é importante. É assim que a gente sai do lugar. E, saindo do lugar, a gente sobrevive – e vive.

Agora que você já sabe tudo isso, me diga o que pensa sobre o assunto. E, principalmente, me conte: como está a sua segunda-feira?

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