Empreendedorismo

Seu negócio tem alma? Pois deveria

Um dos meus hobbies é analisar modelos de negócio: seja um café, uma empresa ou serviço prestado.

Parece um hobby estranho mas é incontornável para mim. Por mais de uma década trabalhei em grandes corporações entendendo e revisando modelos de negócio, trabalhando com intraempreendedorismo, desenhando parcerias e alianças, conhecendo e entrevistando pessoas. Acho que gosto tanto dessa análise que meu olhar ficou treinado, faço por prazer. Eu fico tentando entender: qual o diferencial de cada negócio, quem são os seus clientes e principalmente por que alguns negócios dão muito certo e outros parecem não arrancar?

E claro, adoro conhecer e escutar a história de quem está por trás do negócio, qual foi a motivação da pessoa ao abri-lo, o que deu certo, o que não deu. Conhecer quem está por trás dos negócios para mim é sempre inspirador e segue alimentando minha profunda admiração pela coragem de todos aqueles que vencem o medo e dão o primeiro passo em direção ao empreendedorismo.

Lembra daquele bordão “a alma do negócio”?

Acho que enfim eu entendi o seu significado. Você é a alma do seu negócio: e isso não é válido apenas para os empreendedores, vale também para todos os profissas que vestem a camisa de alguma empresa. Até porque, com o aumento da expectativa de vida, vamos viver mais e podemos experimentar diversos papéis durante nossa jornada profissional.

Então, voltando na expressão da alma do negócio… Sabe quando você é bem atendido e tem um “que” a mais? Você nota e inconscientemente volta no lugar e comenta com alguém, que por sua vez comenta com outra pessoa? E o boca a boca positivo corre feito uma onda.

Vale aquele café que você chegou, todos sorriram e te receberam como se vocês fossem amigos próximos; aquela empresa que você reclamou de algum defeito do produto e ao responder eles te agradeceram pelo feedback ou ainda aquele serviço que foi prestado antes do prazo combinado e superou sua expectativa.  

Negócios com alma são aqueles feitos de pessoas para pessoas, cheios de vivacidade e de energia, que possuem valores sólidos que são praticados no dia a dia. São aqueles, que estão sintonizados com todas as pessoas que fazem o negócio existir: sejam elas clientes, funcionários, parceiros, fornecedores, etc. É essa sintonia fina que nos faz querer ser cliente fiel e recomendar o negócio.

E sabe como você pode chegar lá?

É preciso checar a temperatura

Para ter um diagnóstico claro do que funciona e do que pode evoluir você necessita mergulhar no seu negócio. Esse diagnóstico é feito de muita escuta.  Trata-se de uma escuta reflexiva, de tentar ouvir não apenas as palavras, mas os sentimentos, os olhares, as expressões faciais. É também com um olhar investigativo, tentando entender os porquês.

O primeiro passo é calçar o sapato do cliente.

  • Você conhece os seus clientes?
  • Já perguntou porque ou se o seu negócio funciona para ele?
  • Você ouve seus clientes frequentemente?
  • Pede feedback?
  • Já perguntou por que o seu cliente é seu cliente?

Hora de ir um pouco mais adiante: você tem parceiros, fornecedores, pessoas que trabalham ou colaboram com você? Já pensou em ouvi-las? Se você ainda não ouviu essas pessoas, se dê a chance desta riquíssima oportunidade de ouvir diferentes pontos de vista. E, caso hajam críticas, faço o convite de você aceitá-las. Vai ser difícil no começo, mas depois nada vai ser mais valioso que isso para você crescer como profissional e pessoa.

Se jogar por inteiro

Juntamente com esse exercício de escuta, o próximo convite é envolver suas mãos no negócio. Colocar as mãos no negócio é uma maneira dar vida ao negócio, compartilhando um pouco da sua energia.

Existe um valor intangível da dimensão do fazer: ao colocar a mão na massa nos envolvemos por inteiro, colocamos a nossa intenção, tudo aquilo que desejamos para o nosso negócio. Além dessa dimensão, ao fazer nós atingimos outro grau de entendimento do negócio e de nós mesmos.

Basta então ter alma?

Mas é claro que não é só isso. A alma do negócio é aquela vibração do sutil, mas primeiro o negócio precisa ter os atributos “funcionais” atendidos:

  • Qualidade: inegociável, não é?
  • Promessas cumpridas: prometeu qualidade? Precisa ter!
  • Resolver um problema real do cliente: a concorrência está aí e se você não estiver lá para solucionar a vida do seu cliente, alguém vai desenvolver um negócio para tanto.

Ser simples: se o seu negócio não for simples de usar e de acessar, volte a casa anterior e resolva o problema do cliente.

Hora de ajustar e reafirmar a rota.

Feita essa escuta com mente, coração e com as mãos, é chegada a hora de colocar no papel e revisar seu posicionamento, seu diferencial, quem são os seus clientes e principalmente quem é você e porque você faz esse negócio. É hora de se conhecer, de mergulhar nos seus valores e ver quais deles estão hoje refletidos no seu negócio. Quais ainda não estão e poderiam estar?

É nesse momento que você é capaz de mergulhar no propósito: seu e do negócio e  a partir daí é possível fazer ajustes ou mesmo reafirmações da sua rota. E aqui há um enorme ganho de compreensão e de significado. Para que isso seja ainda mais profundo, o exercício de colocar-se no papel literalmente, independente do formato, mas anotar todas as reflexões, as dúvidas, os insights. Todo esse material é muito rico e deve ser revisitado de tempos em tempos. Com o passar do tempo, você vai perceber que toda essa coleta de informação também vai te ajudar a inovar: pensando em novos produtos/serviços, desenhando parcerias e construindo conexões que antes não eram tão óbvias.

Vamos com alma e com calma

Colocar a alma no negócio é uma jornada. E a cada momento vamos evoluindo nessa construção: vamos nos conhecendo em cada etapa desta jornada, vamos tendo mais clareza e aos poucos vamos fazendo o outro sentir a nossa vibração através de um bom atendimento, regado a empatia e compaixão.

Numa época de transição, com todo mundo em velocidade acelerada, nada substitui o valor de um olhar e de se sentir bem atendido. E aí, o sucesso vem e com ele vem também a satisfação: sua e de quem está a seu redor. O convite que faço é de olhar para toda essa revisão com muita leveza e satisfação. Pois como diria John O’Donohue, “a life without delight is only a half life“.

Ah, não esquece de compartilhar conosco a sua jornada, ok? Conta aqui em baixo um pouco dela!

Comentários (2)
  1. Antonio Carlos Jodas disse:

    Olá Carol Busatto: Formidável seu artigo. Trabalho com treinamento e gestão de negócios (auditoria da produtividade) e, o seu artigo trouxe o retrato da *alma* do meu negócio! Nunca antes encontrei uma descrição tão precisa e envolvente! Obrigado!

    1. Carol Busatto disse:

      Oi Antonio! Fico super contente que o artigo encontrou sentido no seu negócio. E pode apostar que tem muita gente que é capaz de sentir a alma do seu negócio! 😉

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