Carreira

Pessoas negras são minoria na tecnologia, vamos mudar isso?

Formação acadêmica, experiência na área, indicações e network. Esses e outros pré-requisitos são muito importantes e aproximam as pessoas da tão sonhada vaga de emprego. Mas, na prática, são somente esses fatores que definem quem sai de uma entrevista empregado?

Gostaria, então, de fazer a seguinte provocação: duas pessoas disputam uma vaga, se graduação na mesma área, mesmo curso, parecem ter competências e habilidades igualmente satisfatórias para o cargo. Entretanto, havia uma diferença: uma delas era pessoa negra que estudou em uma faculdades não tão conhecida, outra, branca com formação em universidade famosa. Quem será que ocupou o cargo em questão?

Você, recrutador ou líder, pode estar pensando: “Ah, na minha empresa contratei recentemente uma pessoa negra. Acho que as coisas não são bem assim”. Mas saiba que seu caso é uma exceção. A maioria esmagadora da população negra do nosso país sofre com o desemprego, escancarado ainda mais no cenário da pandemia da COVID-19. E, quando encontram oportunidades de trabalho, normalmente estão em cargos inferiores ou ganham menos, mesmo ocupando os mesmos cargos.

Para se ter uma ideia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos três primeiros meses de pandemia, a taxa de desemprego entre os pretos aumentou em 2,6 pontos percentuais e a dos pardos, 1,4. Já entre os brancos, a alta foi de apenas 0,6 pontos percentuais. A taxa de desemprego entre os pretos ficou em 17,8%, e entre os pardos, em 15,4%. Já a dos brancos foi de 10,4%, 2,9 pontos percentuais abaixo da taxa geral do país, que ficou em 13,3%.

E mais: ainda de acordo com pesquisas do IBGE, 94,2% dos cargos executivos pertencem a brancos e e apenas 4,7% dos negros ocupam cargos desse nível. 

Diversidade nas empresas: um caminho sem volta 

Você sabia que 88% das pessoas dizem que as políticas de Diversidade e Inclusão nas  empresas são “extremamente” ou “muito” importantes quando vão decidir se candidatar ou aceitar ou não uma proposta? É isso mesmo! É o que mostra a pesquisa global de 2020 da Lenovo.

E não é só isso: o mesmo estudo diz que  93% das pessoas entrevistadas sentem que seus empregadores deveriam ser mais proativos para evoluir os níveis de Diversidade. Mas o que essa informação mostra? A pesquisa só reforça o quanto colaboradoras e colaboradores querem ter sucesso sem censurar suas identidades ou comprometer seus valores.

Dados não podem ser ignorados

Podemos dizer que o mercado de trabalho em geral ainda é excludente com as minorias: mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, entre outros grupos. E a falta de representatividade desses grupos nas empresas é, entre outros fatores, um dos motivos para tornar essa disparidade nos salários e presença em cargos de liderança ainda maior.

Na área da tecnologia não é diferente! Assim como outros espaços, a tecnologia é majoritariamente ocupada por homens brancos com uma renda maior do que grande parte da população. O setor passou por um processo comum a vários segmentos: o apagamento, por exemplo, de pessoas pretas.

Uma pesquisa realizada pela PretaLab, em parceria com a consultora global em softwares ThoughtWorks, aponta que em 32,7% dos casos, não há nenhuma pessoa negra nas equipes de trabalho em tecnologia. Em 68,5% das análises, as pessoas negras representam um máximo de 10% das pessoas nas equipes de trabalho em tecnologia. E 21% dos entrevistados responderam que em suas equipes não há nenhuma mulher. Ou seja: a área de tecnologia é composta, majoritariamente, por homens brancos de condição socioeconômica média e alta.

A triste realidade é que muitas empresas da área de tecnologia não praticam a pluralidade étnica no momento das contratações. E não é só isso: quando contratam, não há preocupação em tornar a empresa um lugar de acolhimento, respeito e capacitação. O racismo estrutural e institucional existe, e as pesquisas só reforçam esse histórico de desigualdade racial nas empresas e na vida como um todo.

Entretanto, apesar dos índices desfavoráveis, o nosso desejo é continuar a luta para incluir a todes, em todas as esferas da sociedade.

E aí, vamos juntes enegrecer a tecnologia?

No dia 14 de agosto, das 9h às 20h30, vai acontecer o Potências Negras TEC, um dia inteiro de conteúdo para mostrar para a comunidade negra que tecnologia também é coisa de preto!

O objetivo é abrir caminhos para quem quer embarcar no segmento ou acelerar sua carreira na área de tecnologia. Serão mais de 10 horas de conteúdo gratuito, entre palestras, painéis, entrevistas especiais e atrações culturais. No palco virtual do Potências Negras Tec, referências negras e aliades do mercado que mais cresce em todo o mundo.

“Teremos mais de 420 mil vagas na área de tecnologia até 2024 e formamos apenas 42 mil pessoas por ano. Quando se fala em enegrecer esse mercado, o desafio triplica.”, explica Ana Minuto, cocriadora do Potências Negras.

Victor Lambertucci, CEO da Profissas, destaca que “Potências Negras TEC é o segundo mega evento da jornada para empoderar pessoas negras e combater o racismo no ambiente corporativo. É mais um importante capítulo da missão por espaços mais democráticos nas empresas.” 

O compromisso da Escola Profissas e de Ana Minuto é dar voz a cada vez mais potências, pois a diversidade e a inclusão são necessárias para conquistarmos lugares mais saudáveis, baseados na igualdade, no amor, no respeito e na empatia.

Faça sua inscrição no Potências Negras TEC pelo link:  https://eventos.potenciasnegras.com.br/tec

Continue acompanhando nosso blog e o Instagram do Potências Negras Summit (@potenciasnegrassummit), da Escola Profissas (@somosprofissas) e da Ana Minuto (@anaminuto). Vamos juntos empoderar sua jornada!

SERVIÇO – Potências Negras Tec

Data: 14 de agosto de 2021

Horário: 9h às 20h30

Investimento: gratuito

Inscrição: https://eventos.potenciasnegras.com.br/tec   

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