Criatividade

O que aprendi sobre storytelling após assistir 300 vlogs no YouTube

Contar histórias é uma das poucas habilidades que diferenciam os seres humanos de qualquer outra espécie do planeta Terra. Mesmo antes da escrita, o storytelling – ou seja, a capacidade de atrair a atenção das pessoas por meio de histórias – sempre teve um papel crucial em nossa evolução.

Como explica brilhantemente Lisa Cron, no livro Wired for Story:

“As histórias nos permitiram imaginar o que poderia acontecer no futuro e então se preparar para o pior. Uma história bem contada é, de certa forma, uma parceria com a qual nenhuma outra espécie, se não os humanos, pode contar.”

Apesar de sempre ter me interessado bastante por storytelling e ter consumido vários materiais sobre o assunto (dentre eles o livro Criatividade S/A e o curso Leading With Stories do Linkedin), foi através de Casey Neistat, um youtuber,  que eu consegui tirar os maiores ensinamentos sobre o assunto.

Quem é Casey Neistat

Existem várias biografias de Casey Neistat por aí, inclusive na Wikipedia, mas basicamente ele é um empreendedor e artista audiovisual que faz coisas fodas e as compartilha, praticamente todos os dias, com seus milhões de inscritos no YouTube.

Eu sei, quando pensamos em youtuber, é fácil visualizar um adolescente trancado em seu quarto e soltando “um monte de verdades” para a câmera…

Mas Casey não é este tipo de youtuber.

Além do seu entusiasmo e sucesso como filmmaker, ao assistir os vídeos de Casey é fácil se apaixonar por sua espontaneidade, estilo e, principalmente, habilidades de transformar qualquer acontecimento em histórias inesquecíveis.

Casey tentando recuperar seu drone perdido em Nova Iorque

O que os vlogs de Casey Neistat me ensinaram sobre Storytelling

Assistir os vlogs de Casey Neistat é, por si só, uma experiência muito divertida para qualquer pessoa (que consegue entender inglês, é claro). Mas, para profissionais que precisam se comunicar melhor ou até mesmo ser mais persuasivos na hora da venda, eu vejo que os benefícios vão muito além de “puro entretenimento”.

A seguir eu exponho quais foram as maiores lições sobre storytelling que tirei dos vlogs de Casey. Se tiver um tempo livre e conseguir entender bem a língua inglesa, recomendo assistir por conta própria e também tirar as suas próprias lições – esta compilação é um bom começo.

1. Uma boa história não tem nada a ver com perfeição

Casey frequentemente tropeça, quebras as coisas, se enrola nas falas ou comete erros ingênuos. E é justamente por isso que é tão se apaixonar por sua personalidade “imperfeita”.

Casey quebrando as coisas

Em um estudo recente chamado The desire to expel unselfish people from the group (em uma tradução livre: o desejo de expulsar pessoas altruístas do grupo), pesquisadoras concluíram que pessoas “perfeitas”, que estão sempre agindo de forma altruísta e quase não cometem erros, são as mais evitadas quando se trata de relacionamentos coletivos.

A razão, segundo o estudo, é que pessoas “boazinhas” aumentam a exigência sobre os outros membros do grupo. Isso porque uma pessoa quase perfeita, mesmo sem querer, faz com que todas as outras pessoas ao redor pareçam ruins.

Ou seja, a imperfeição de Casey Neistat faz com que as pessoas comuns se identifiquem muito mais com ele e, consequentemente, deem importância para o que ele fala – o que é indispensável no storytelling.

2. Seja sincero com o seu público

Uma característica que me agradou muito em Casey (e eu sinceramente acho que falta muito nos produtores de conteúdo brasileiros) é sempre partir do princípio de que seus seguidores não são idiotas e vão acreditar em qualquer coisa.

Como um influenciador tão popular no YouTube e no universo de startups em geral, Casey poderia fazer fortunas promovendo produtos e empresas por meio dos seus vídeos, mas ele escolhe ser honesto e falar o que vier à tona, doa a quem doer.

A melhor representação dessa característica talvez esteja no vídeo abaixo, no qual Casey nitidamente está insatisfeito com falha técnica de sua câmera e diz com todas as letras: não comprem câmeras da Canon, porque quando você mais precisar, ela vai te deixar na mão.

Se estiver com pressa, pule para 5’00’’

Não preciso nem dizer o poder que essa sinceridade tem sobre seus espectadores. Se ele quebrou uma Canon e ainda disse para milhões de pessoas para não comprar câmeras dessa empresa, qualquer informação que ele transmita no futuro será recebida com muito mais confiança.

3. Consistência é uma parte importante da equação

Como profissional de marketing, é comum eu me perder em discussões intermináveis sobre formatos, temas e estratégias de distribuição de diferentes conteúdos.

Porém, ao assistir os vlogs de Casey Neistat, eu percebi que a consistência com que ele posta seus vídeos certamente é um dos fatores que o ajuda a contar histórias tão bem entrelaçadas e imersivas.

Por exemplo, sem consistência seria impossível incluir os outros personagens (também amados por seus fãs) como sua esposa Candice e filha Francine. Especialmente se levarmos em consideração a duração dos vídeos, que raramente passam de 10 minutos.

Candice, mulher de Casey

Além de permitir um storytelling mais elaborado, a consistência dos vídeos também pode explicar o crescimento exponencial no número de inscritos no canal desde o início do vlog diário e, é claro, a enorme popularidade de Casey Neistat ao redor do mundo.

4. Não existem atalhos quando se trata de qualidade

Por mais que “produzir conteúdo de qualidade” seja um mantra presente na vida de qualquer empreendedor ou marketeiro, eu sempre fico com a impressão de que as pessoas estão sempre buscando atalhos para evitar o árduo processo de produzir materiais de qualidade na internet.

Neste aspecto, Casey deixa claro que a qualidade dos seus vídeos é resultado de apenas uma coisa: trabalho duro.

Assista o vídeo em que Casey fala sobre sua rotina insana

Para mim, que trabalho diariamente com marketing de conteúdo e preciso lidar com demandas gigantescas e prazos bem curtos, esta lição me serviu como um “tapa na cara”.

Afinal, quem está ouvindo suas histórias (leia-se: clientes) não quer saber se você está sobrecarregado ou não. Ele quer ouvir boas histórias e consumir conteúdo de qualidade.

Quer aprender a contar histórias?

Casey é só um (ótimo) exemplo de milhares de pessoas que usam a internet para contar boas histórias. Graças ao Youtube e outras mídias sociais, hoje qualquer um pode produzir conteúdo de qualidade, seja para ganhar mais dinheiro com um negócio ou simplesmente seguir o seu propósito de vida.

O que você acha de Casey Neistat? Conhece outros bons exemplos de “contadores de histórias” que estão pela internet afora?

Vamos continuar essa conversa nos comentários! 🙂

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