Mindfulness

Mindfulness ativo para o cotidiano: 5 práticas incríveis

Em grandes linhas meditar é diminuir o fluxo cerebral – tentar acalmar a mente racional que nos controla, focando em apenas uma coisa. Quando estamos focados em apenas alguma coisa, estamos presentes. Em um mundo com tantas distrações, desenvolver essa habilidade da presença é uma grande dádiva. E muda a vida quando fazemos as coisas por inteiro.

Laloux fala da nossa integralidade, de nos colocarmos por inteiro. Para mim é exatamente essa a correlação e concordo piamente quanto ele diz que “Coisas extraordinárias começam a acontecer quando ousamos trazer tudo que somos” – seja para o trabalho seja para a vida.

Algumas coisas para mim do meu dia a dia eu tento viver assim.

Outras são radicalmente difíceis para mim. Por exemplo tenho muita dificuldade em focar a atenção na televisão, logo eu perco o interesse, pego o celular ou começo a fazer outra coisa em paralelo. Porém, outras coisas são um mergulho profundo e de muito aprendizado. Por exemplo, para o meu tipo de atenção, dou preferência a estudar lendo que vendo um vídeo.

Escolhi 5 delas que funcionam para mim para sugerir a você:

#1 Praticando a meditação ativa na cozinha

Recentemente eu participei de uma experiência de cozinha mais ou menos assim: a proposta era cozinhar em silêncio ao som de uma uma música calma. A proposta foi radicalmente transgressora pois estávamos num grupo cujos corações estão em festa quando se encontram. Topamos a proposta mesmo assim. Terminou a refeição e todos sem exceção ficaram perplexos. A experiência tinha sido completamente diferente de tudo. Entramos na vibração que o chef havia sugerido. Saímos energizados e muito felizes. Ouso dizer que foi uma das minhas experiências mais especiais na cozinha e a comida refletiu toda essa vibração.

Contei essa história para sugerir o seguinte: que você se dedique integralmente ao preparo de uma refeição. Com cuidado, carinho, paciência e música se for do seu gosto. Depois  ver como isso fluiu e como a experiência foi para você.

#2 Praticar um esporte em meio a natureza

Hoje a maioria da população vive em cidades e nosso contato com o verde se restringiu muito. Nos conectar com a natureza nos conecta com a nossa própria essência. Um autor que eu adoro chamado George Monbiot fala uma frase mais ou menos assim em um de seus TEDs: para mais maravilhamento, deveríamos tornar de novo selvagem o mundo. E acredito muito nisso. Esses tempos realizei um grande sonho que era ver uma onça pintada de verdade, num refúgio de animais silvestres resgatados na Costa Rica. Até agora sinto no corpo um arrepio na espinha de quando vi a beleza daquele animal. A grandeza daquele animal fez como se o mundo tivesse parado naquele instante. Sai transformada daquela experiência. Infelizmente na minha rotina na cidade pouco tenho contato com animais silvestres, mas encontro na prática de esportes na natureza um grande refúgio para lembrar quem eu sou.

Se para você a meditação sentada com os olhos fechados é muito desafiadora, o meu convite é gastar energia em um esporte com a natureza. A ideia é estar imerso naquele ambiente, de preferência ouvindo os sons do lugar, se conectando com os cheiros das plantas, com a temperatura. Desejo que um dia você tenha a sorte de observar coisas incríveis como um tatu bola ou um beija flor bebê.

#3 Estar presente na direção

Se dirigir faz parte da sua rotina, lá vai mais uma prática de meditação ativa que pode ser muito útil. Aliás, também vou compartilhar a minha experiência. Eu nunca me senti uma exímia motorista, sempre tive um pouco de insegurança. Hoje acho bom manter essa insegurança para me manter sempre alerta, mas com o tempo eu desenvolvi uma habilidade. Quando eu afivelava o cinto de segurança, eu só estava na direção. O telefone podia tocar, a minha mente poderia levar para outro lugar, mas eu só estava presente na condução do carro. Passado o tempo, viciei nesse estilo mindfulness de direção e as vezes quando me pego respondendo uma mensagem, sinto que estrago a experiência de dirigir. A ideia aqui é se propor a só dirigir, prestando atenção nos outros carros, no fluxo, na sua velocidade. Com o tempo pode ser que você se torne mais paciente, mais consciente e mais gentil. Você e o mundo só tem a ganhar.

#4 Com a sua família

A nossa família vai sempre estar lá para quando a gente precisar e às vezes a gente perde de vista quão preciosos são momentos aparentemente triviais como o de compartilhar uma refeição juntos. Já pensou se cada refeição juntos fosse um momento para entender como todo mundo está se sentindo, o que cada um pode contribuir com o outro e como a gente se apoia mutuamente a olhar para a vida com um olhar mais otimista? Que tal deixar os eletrônicos de lado, desligar a televisão e conversar sobre as coisas do dia a dia? Quem mora ou morou longe da sabe como isso é importante: a possibilidade de simplesmente compartilhar como você passou e o que aconteceu no seu dia tem um poder transformador e está ligado a uma necessidade humana de afeto e participação.

#5 Na sua vida afetiva

E se você usasse da sua presença para aprofundar a sua relação afetiva? Mindfulness a dois e os dois saem ganhando. Existem diversas possibilidades de fazer isso: uma delas é dedicar um tempo para compartilhar as coisas mais sutis: o campo do sentir. Compartilhar como estamos nos sentindo e ouvir o outro, seja sobre a relação ou seja sobre seu dia, seu momento atual. Aqui ouvir sem julgar e outros campos de prática da comunicação não violenta podem ser extremamente úteis para aprofundar esse campo. Para além das palavras, compartilhar silêncios juntos por exemplo em meio a natureza, compartilhar o olho no olho e tantas outras coisas simples também aprofundam muito a relação e a presença na relação.

Com o tempo essas práticas vão se tornando quotidianas porque nos trazem uma qualidade ligada ao bem-viver, aprofundam nosso lado humano que às vezes parece que ficou esquecido em meio a correria. E, pra terminar queria compartilhar que dia desses minha sobrinha me perguntou como tinha sido o meu dia. Parece besteira porque eu sempre pergunto como ela foi de aula, mas naquele dia me senti tão acolhida, como se estivesse dentro de um abraço.

E você, como está a sua vida?

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