Carreira

Micro Bravery: pequenos atos de coragem que mudam sua vida

Já notamos há algum tempo que os estereótipos de princesas da Disney são injustos com as mulheres por não serem uma representação nada real (quanto a ficção poderia supor) das pessoas que assistem aos filmes em questão, mas nos esquecemos também de dar uma olhadinha no quadro geral de guerreiros e guerreiras que estampam as nossas artes.

Afinal, o destemor é uma marca registrada da grande maioria deles, e é quase sempre por conta dessa características que as batalhas são vencidas. Mas a pergunta que fica é: será que foi sempre assim?

Será que as referências que temos dos vencedores não foi construída através de muito enfrentamento de medo, de conhecimento próprio e de pequenos desafios diários vencidos?

Vamos nos contentar com uma resposta simplista aos nossos maiores heróis (fictícios ou não) ou vamos buscar entender porque eles são mais do que aparentam quando vencem?

Se o segundo caminho te parecer o mais interessante, esse texto é pra você. Não vamos tentar desvendar cada pequeno ato de bravura dos corajosos mundo afora, mas queremos propor uma reflexão sobre um termo que faz todo sentido nesse contexto: micro bravery.

O conceito, defendido por Caroline Paul, escritora e especialista no assunto, traz a ideia de sermos corajosos todos os dias, mas não apenas em batalhas épicas: atos simples de coragem, que desafiam nossa zona de conforto – como falar em público, cumprimentar um estranho, falar com alguém durante o coffee break da conferência –, são o que vão nos tornar extremamente corajosos para os grandes obstáculos à frente.

Como praticar Micro Bravery?

A tradução literal do termo para o português é “micro bravura”, o que significa pequenos atos de coragem a serem praticados ao longo dos dias.  Quando nos ensinamos a ser corajosos através das atividades de rotina, internalizamos a possibilidade de aprender a ter coragem, como uma habilidade adquirida.

Isso significa que a prática para o aprendizado da micro bravery não é imposta a todos coletivamente, uma vez que o que exige mais coragem de mim pode ser um passeio no parque pra você, ou vice versa.

Portanto, o primeiro passo para praticar a coragem é conhecer seus medos.

Para usar um exemplo muito simples – e comum – de conhecimento e enfrentamento de medo, digamos que você morra de pavor de barata: se vir uma, vai subir na cama, ligar em pânico pra alguém, esperar que essa pessoa venha matar a barata pra você.

Pensando em micro bravery, o primeiro passo seria entender o que te causa medo: é porque é um bicho nojento? Ok, é uma boa razão, mas pense que em um ringue de boxe você ganharia desse bicho nojento de olhos fechados. Você tem a capacidade, inclusive, de sapatear em cima de uma barata com requintes de crueldade.

Na balança natural das coisas, é ela quem deve ter medo de você.

Ver uma barata é algo que foge completamente do seu controle, pois existem milhões de baratas no mundo. Mas se você criar a consciência do entendimento do seu medo e decidir enfrentá-lo, verá que existem diversas maneiras de diminuí-lo (ou gerenciá-lo): matando a barata, varrendo a barata para longe, espirrando inseticida em cima dela.

Ao longo dos dias, cada vez que você não entrar em pânico por causa de uma barata, mas tomar uma atitude sua sobre isso, esse medo tende a se diminuir de forma que você já consegue enfrentá-lo de maneira mais tranquila.

Aí, quando um dragão de komodo aparecer no seu quintal (#brinks), você vai saber melhor como lidar com isso. 😉

O importante é conhecer seu medo e praticar, sempre que tiver uma oportunidade, seu enfrentamento a ele. Medo de altura? Visite coberturas de prédios. Andar de avião? Ande mais de avião. Falar em público? Se habilite a ser o porta voz do seu grupo na faculdade. Conversar com estranhos? Comece dando bom dia no ponto de ônibus, e assim por diante.

Formas de desenvolver “pequenas coragens”

Ninguém disse que seria fácil, mas praticar micro bravery pode ser recompensador, tanto na sua vida pessoal quanto na profissional. Veja algumas formas defendidas por Caroline Paul para ser corajoso diariamente:

#1 Faça algo fora da sua zona de conforto

Lembra daquela música “todo dia ela faz tudo sempre igual e sacode às seis horas da manhã”? Não seja essa música. Tudo bem que as rotinas devem ser respeitadas (principalmente a criativa!), mas fazer algo diferente do que você está acostumado é um dos passos para conseguir praticar a micro bravery com excelência.

Exemplo: você nunca expressa sentimentos pelos seus familiares? Tente falar a eles como se sente pelo menos uma vez por semana. Essas coisinhas “bobas”, para quem olha de fora, fazem uma enorme diferença no nosso crescimento pessoal e profissional.

Afinal, é da repetição que nasce o hábito, e o hábito acaba nos trazendo certo conforto.

#2 Reparta suas reações

Não adianta nada decidir ser corajoso hoje e amanhã se jogar na jaula do leão do zoológico mais próximo, ou entrar em um ringue do UFC porque seu maior medo é apanhar na rua.

Todas as reações de coragem são melhor trabalhadas se forem distribuídas em porções pequenas, principalmente quando você está muito assustado com o que te traz medo.

Se é falar em público, não se jogue de cara em uma carreira de palestrante: fale para pequenos grupos, formado de familiares e amigos, depois, colegas de trabalho, depois, desconhecidos (como na sala de um curso novo), e assim por diante.

Um dia você estará 100% pronto para dar a volta ao mundo com sua própria coragem, mas cada pequeno passo até lá deve ser extremamente valorizado.

#3 Desista da perfeição

Não vou nem me alongar nesse tópico porque eu sei, você sabe e todo mundo sabe que perfeição não existe. E, se não existe perfeição, não existem regras para se esquivar dela.

Isso significa que ninguém será 100% coragem, ninguém será 100% bravura, ninguém será 100% invencível. Até Chuck Norris tem seus medos ocultos, assim como os medos ocultos têm medo de Chuck Norris.

Você é humano e imperfeito. Supere.

#4 Diferencie “excitação” de “medo”

Existem pessoas que morrem de medo de filme de terror (tipo eu, que não vejo nem suspense depois do meio dia) e existem pessoas que sentem medo ao assistir um filme de terror, mas que se excitam com esse sentimento a ponto de pagar um ingresso de cinema, ir para uma sala completamente escura e serem torturadas por 120 minutos por um filme de terror. E ainda saem de lá rindo.

O segundo grupo transformou o medo em diversão – e o mesmo pode ser dito de todos os corajosos que enfrentam uma montanha russa, um salto de paraquedas ou um pedido público de casamento.

Para eu ser do segundo grupo, tenho que treinar bastante meu medo de filme de terror. Prometo que começo a assistir mais desse gênero até às 15h se você também se comprometer a dar um passo em direção àquilo que te deixa amedrontado e desconfortável.

#5 Transforme a coragem em hábito

Lá no item 1 a gente fala que a repetição vira hábito, e é verdade. Mas o mais legal é que o hábito pode virar até uma memória corporal, como a de um músculo.

Um músculo tem memória e se lembra de tudo pelo que passa nos últimos tempos, sendo essa uma das razões pelas quais as fichas de academia mudam tanto: quando os mesmos exercícios de sempre são repetidos até se tornarem um hábito, eles param de fazer tanto efeito. Aí, a mudança – ou a saída da zona de conforto – é crucial para o alcance de resultados.

Faça da sua coragem um músculo: treine arduamente a acareação dos seus medos e, sempre que achar que sua prática já o deixou confortável, dê um passo além.

Afinal, assim como o medo não vai desaparecer da noite pro dia, a coragem também não nasce tão rápido. É preciso que a prática te deixe sempre pronto a encarar novos medos de frente e vencê-los.

Provavelmente é assim que os nossos heróis, fictícios ou não, vivem depois do “felizes para sempre”. Quando a cortina se fecha, há sempre um novo desafio a ser enfrentado, e é justamente aí que reside a graça da vida. Não se sinta triste por temer algo que as pessoas acham bobo, e jamais pense que só você tem pavor de determinada coisa.

A diferença entre você e as outras pessoas é que muitas não vão buscar a construção da coragem, enquanto você tem, agora, a faca e o queijo na mão para entender que ninguém nasce destemido: é preciso criar essa cultura dentro de nós.

Agora, me diga aqui, no segredo: do que é que você tem mais medo?

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