Criatividade

Hábitos de gênios: você sabe o que é rotina criativa?

Em 2014 trabalhei em uma aceleradora de startups e via por todos os lados a cultura de trabalhar muito, mas muito mesmo, para se dar o direito de sonhar alto. Embora respeite bastante essa meta pessoal de cada um, tenho sérias ressalvas na parte de “trabalhar muito, muito mesmo”, porque o cérebro pode fritar uma hora dessas.

Não é incomum ver empreendedores (famosos ou não) terem o famoso burnout, ou síndrome do esgotamento. As pessoas se cobram demais, cobram demais de suas tarefas, sem levar em consideração a importância de se estabelecer uma rotina de trabalho consistente e que, também, seja criativa. E não apenas no sentido imaginativo da coisa.

“Hoje eu tô só a haste!”

Estabelecer rotinas, prazos e metas para cada projeto é uma forma de fazer seu corpo entender que existe um ponto a ser conquistado, mas não a qualquer custo.

Nos últimos anos, vi itens como café e energético serem incensados por pretensos milionários como o elixir da produtividade, mas aprendi com os exemplos que me cercaram que não é porque seus olhos estão abertos que sua cabeça não está cansada. E um cérebro exausto pode até produzir, mas criar… aí, a história é bem diferente.

O que é rotina criativa?

A palavra “criatividade” é um pouco mais pretensiosa que a palavra produtividade, porque produzir é fazer e criar é, bem, criar. Ser dono de uma criação, hoje em dia, é pra poucos, mas não é impossível. E quem sonha grande precisa estar disposto a criar, muito além de apenas produzir.

Essa mesma palavrinha também foi, durante anos, ligada a artistas, pelo elo óbvio de que artistas estão mais propensos a criar do que todo o resto da humanidade. Aí, depende de como você vê as coisas: se artista é só celebridade ou se cientistas também são artistas, por exemplo. No fim, não importa, uma vez que todos nós somos capazes de imaginar e criar coisas.

Para que eu estou falando tudo isso? Para que você perceba o quanto vale ter uma rotina criativa, principalmente se você se basear em hábitos de gênios, pessoas que tem as mesmas 24 horas do dia que você tem e que, ainda assim, receberam o título de gênios.

Eu adoro ler biografias e uma coisa que eu vi em comum nas que eu já li sobre personalidades que realizaram grandes feitos, como Da Vinci, Einstein, Darwin, Steve Jobs e Eric Clapton é que, em algum nível de comprometimento, todos tinham rotinas. Por um descuido da humanidade, “rotina” virou sinônimo de chato, monótono, enquanto deveria ser, simplesmente, o que realmente significa: a organização de uma situação em camadas repetidas.

Como funciona? Você divide seus dias em rotinas de trabalho que levam em consideração o acordar, o tomar café, o trabalhar, o descansar, o comer e o se divertir. Quando você consegue respeitar o horário de todas as coisas, consegue ser produtivo e criativo ao mesmo tempo, porque repete rotinas de curto prazo olhando sempre para o longo prazo.

Assim, uma pessoa que não estabelece rotinas e vai sempre trabalhar com o espírito aventureiro de “ver sempre qual é que é” pode incorrer em dois erros crassos que acabam com o bom trabalho de qualquer um:

  1. Uma agenda completamente bagunçada, sem início ou fim de nada
  2. Esgotamento máximo, sem saber mais o que é trabalho e o que é descanso

Existe gente que consegue lidar numa boa com o erro #1, mas o #2 é um grande impeditivo para o nosso trabalho, uma vez que nos tira completamente do foco e pode nos levar a doenças graves, como estafa e depressão.

Para que nenhum desses erros te assombre, pare de ter medo da palavra rotina. Leve em consideração o horário de acordar, de comer, de se exercitar, de tomar banho – coisas pontuais para que você viva por muito tempo (e, de preferência, cheiroso) – e encaixe seu trabalho nos intervalos dessas atividades, sem querer dar passos maiores que a perna.

O contrário disso vai sempre significar um corpo e mente mais cansados, ainda que você tome dezoito litros de café por dia… ou tenha metas ousadas para ganhar seu milhão até o fim do ano.

Ócio criativo: o amigo do rei

Sou dessas pessoas que adora tirar uma soneca depois do almoço, mas nunca admiti publicamente porque tinha medo de ser taxada de preguiçosa. Até que, nessas biografias que leio, me deparei com algo que mudou para sempre minha vida: Charles Darwin adorava um cochilo de uma hora na parte da tarde. E, mesmo dormindo, fez o que fez.

Bom, se Darwin pode, por que eu não poderia?

Descobri, cavoucando mais informações sobre os gênios dormindo, um termo bem atual, cunhado pelo sociólogo italiano Domenico de Masi, chamado ócio criativo – e que significa a união entre o estudo e o lazer para produções mais satisfatórias na sociedade pós-industrial.

O estudo é bem longo e envolve vertentes econômicas, sociais e políticas, mas trocando em miúdos ele significa que existe o ócio que nos faz nos sentir completamente inúteis e o ócio que aguça nossa criatividade.

Minha interpretação atual desse modelo é: existe a procrastinação, que é você ficar diversas horas no Facebook sem aprender ou ensinar absolutamente nada de útil, e se sentir um lixo por ter perdido tempo precioso de trabalho (que ficou todo atrasado!), e o lazer, que é quando você coloca na sua rotina criativa que toda quarta-feira você vai ao cinema no fim da tarde, se programa para aquela atividade, vai ao cinema e sai de lá, muitas vezes, cheio de novas ideias.

Ou não. Às vezes você só se divertiu e pronto. Mas até isso pode significar que seu trabalho a seguir será ainda melhor.

Resumindo, não adianta querer mais 10 horas no seu dia, porque isso é impossível e você não é tão especial a ponto de o tempo se dobrar às suas vontades. Contudo, se cuidar para desenvolver uma rotina criativa, o relógio vira seu aliado e, com o passar do tempo, você vai perceber que trabalhou bastante, mas sem se sentir exausto.

O poder da criatividade – no sentido de criação, acima de tudo – reside em você dar mais espaço no cérebro às coisas que te acrescentam, em termos fisiológicos, do que a tentativas vãs de tentar fazer seu corpo produzir mais à base da força bruta. Continue focando em trabalhar bastante e em tomar seu cafezinho para atingir suas metas, mas sem fazer com que isso seja o único caminho para seu sucesso.

Mesmo porque se você exaurir suas energias diárias estará doente dentro de pouco tempo, e a dura verdade é que ninguém consegue produzir nadinha se estiver morto.

(PS: esse infográfico mostra a rotina criativa dos gênios da humanidade e você vai reparar que, nela, muito tempo é dedicado a… dormir. Por isso, pare de querer ficar sempre acordado e alerta e, definitivamente, não julgue a soneca dos outros! Obrigada, de nada.)   

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